Ele estava explicando como o Espírito Santo havia vindo para trazer vários dons (capacitação sobrenatural) para que o ministério do Cristo exaltado pudesse ser continuo através dos membros do seu corpo (a igreja) aqui na terra. Lá estava o equipamento sobrenatural de Deus para o ministério e para a adoração. Por motivo de conveniência, geralmente dividimos estes nove dons espirituais em três categorias, com três dons em cada categoria da seguinte maneira:
1. Dons verbais e/ou de revelação
a. línguas
b. interpretação de línguas
c. profecia
2. Dons de poder
a. palavra de sabedoria
b. palavra de conhecimento
c. discernimento de espíritos
3. Dons de habilidade
a. dom da fé
b. dons de cura
c. operação de milagres
De acordo com Paulo a cada um é dada a manifestação do Espírito para proveito de todos. (1 Co 12:7) Afirma ainda que o Espírito opera todas as coisas e distribui, individualmente a cada um como quer. (1 Co 12:11) Vamos analisar a função de cada dom seguindo o padrão descrito acima.
1. VARIEDADE DE LINGUAS
Não é a capacidade de aprendermos e falarmos em outras línguas, como supõem alguns. Tampouco é o propósito desse dom a pregação do evangelho para estrangeiros. No dia de Pentecostes, 120 discípulos foram batizados com o Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas de forma que os visitantes de Jerusalém, procedentes de outras nações, puderam entender um pouco aqui e um pouco ali, em suas línguas maternas. Mas quando foi necessário responder as suas perguntas e pregar o evangelho a eles, Pedro se levantou e falou com todos eles em aramaico, que era a língua falada naquela parte do mundo. O resultado disto é que 3000 almas se arrependeram e foram salvas. Eles certamente compreenderam a pregação de Pedro. Portanto, as outras línguas foram uma evidência do batismo e a capacitação do Espírito Santo, mas não tinha o propósito da pregação a estrangeiros. Esta manifestação do Espírito tem duas funções: Em primeiro lugar, como línguas devocionais, o seu propósito é edificar a pessoa que a pessoa que as usa. Em segundo lugar o dom de línguas é para ser usado juntamente com o dom de interpretação de línguas para a edificação de toda a igreja e não somente do indivíduo. Em 1 Co 14:2 Paulo diz: O que fala em línguas, não fala aos homens, mas fala a Deus. Pois ninguém o entende, pois em Espírito fala mistérios. Prouvera Deus que todos falassem em línguas estranhas (1 Co 14:5, 18, 39). Leia também 1 Co 14:14-15.
2. DOM DE INTERPRETAÇÃO DE LINGUAS
É o dom que acompanha o dom de línguas, e são sempre usados juntos. É a capacitação sobrenatural, pelo Espírito Santo, de se interpretar uma expressão verbal em línguas estranhas na língua natural da congregação. Não é o dom de tradução. O interprete não entende a língua empregada na expressão verbal que foi dada. A interpretação é tão sobrenatural quanto à expressão verbal. No entanto, pelo dom do Espírito Santo, o discípulo em questão é capaz de tornar a expressão verbal inteligível, para que a congregação possa recebê-la e ser edificada por ela. A interpretação de línguas é tão sobrenatural quanto o dom de línguas, ou qualquer outro dos nove dons do Espírito. Não aprendemos à língua, mas o mesmo Espírito Santo que inspira o falar em línguas inspira também a sua interpretação. Isto tampouco é uma tradução, a qual é geralmente feita palavra por palavra, ou é uma tentativa de uma interpretação literal. Este dom de interpretação, no entanto, nos dá o significado da mensagem em línguas. O Espírito interpreta o significado do que foi dito em línguas. Isto significa que pode haver uma maior elaboração e explicação do que foi contido nas palavras faladas em línguas. Quando uma língua for uma oração, a interpretação poderá ser um relatório em detalhe da oração na língua conhecida. Ou ainda a interpretação poderia incluir a resposta de Deus à oração inteirando os ouvintes sobre o que Deus vai fazer por causa da oração, e quaisquer condições que precisem ser satisfeitas para que a oração seja respondida. O elo entre o indivíduo que fala em línguas e o interprete é o Espírito Santo inspirando a ambos.
3. DOM DE PROFECIA (1 Co 12:10)
Simplesmente traduzida, a palavra profetizar significa expressar palavras inspiradas. De acordo com 1 Co 14:31, todos os crentes podem exercitar este dom em determinadas ocasiões, como o Espírito Santo quiser. Todos podem profetizar uns após os outros, e não mais que três, em qualquer reunião. (1 Co 14:29-33)
a) Seu propósito o propósito de tais expressões proféticas é:
Edificar a igreja. Isto significa estabelecer, fortalecer os crentes.
Exortar os crentes. Reavivá-los, confrontá-los e desafiá-los.
Consolá-los. Falar palavras de consolo e encorajamento.
Freqüentemente, as profecias incluem todos estes três elementos.
b) Três mal entendidos sobre as profecias
Elas não devem ser confundidas com uma pregação. Muitos, hoje em dia, insistem que o dom de profecia é a habilidade de se pregar bem. No entanto, a pregação e o ensino são geralmente os resultados da meditação em oração da palavra de Deus e de uma preparação meticulosa de nossa mente e espírito, para que possamos ministrar um entendimento ao povo. Em contraste, o dom de profecia não é o resultado de um estudo meticuloso. É uma expressão verbal espontânea pelo Espírito Santo. O dom de profecia não é para se predizer o futuro. Este dom é para clarificar e encorajar o presente ao invés de predizer o futuro.
O seu propósito é a edificação, exortação e consolo e não a predição de eventos futuros. Sempre que há um elemento de predição numa profecia, em geral é porque há outro dom (palavra do conhecimento ou sabedoria) operando juntamente. Este dom não é para uma direção pessoal Se estivermos em necessidade de uma direção pessoal, deveríamos pedir isto ao próprio Jesus Cristo. Veja Tiago 11:5-8. Também podemos buscar tal direção nas páginas da Bíblia. Se uma expressão profética vier a nós com instrução para o futuro, isto deveria apenas confirmar o que Deus já nos mostrou pessoalmente.
4. PALAVRA DE SABEDORIA
Este dom faz parte da categoria dons de poder e está no principio da lista porque ele nos capacita a falarmos e agirmos com sabedoria divina e assim assegura o uso e aplicação correta de outros dons. Quando a palavra de sabedoria está ausente os outros dons podem ser usados de maneira errada, o que causa muita confusão. A palavra de sabedoria não é uma sabedoria natural, nem a sabedoria dos filósofos ou do pensador. É o dom sobrenatural do Espírito Santo. É uma transmissão miraculosa de um fragmento da sabedoria de Deus a um crente batizado no Espírito Santo. Assim como uma palavra pode expressar somente um fragmento de nossa própria sabedoria, semelhantemente a palavra de sabedoria é apenas uma expressão fragmentária da infinita sabedoria de Deus, exatamente suficiente para suprir as necessidades da ocasião. A palavra de sabedoria é dada como o Espírito Santo quiser (1 Co 12:11)
Observação:
A palavra de sabedoria não é essencialmente um dom vocal, mas sim um dom de revelação. Ela é recebida silenciosamente dentro de nosso espírito. Ela sai quando ela é expressa verbalmente em aconselhamento, pregações, profecias, ou quando agimos baseados nela.
a) Alguns exemplos de Palavra de sabedoria no Novo testamento.
1. Lucas 4:1-13. Jesus Cristo tentado no deserto. As respostas que Jesus Cristo deu a Satanás foram palavras de sabedoria transmitidas pelo Espírito Santo baseada no conhecimento.
2. Lucas 20:22-26. Os escribas tentaram armar uma cilada para Jesus Cristo, mas a palavra de sabedoria, dada pelo Espírito Santo, confundia a todos eles.
3. João 8:3-11. Novamente os escribas e fariseus tentaram armar uma cilada para Jesus Cristo, mas as suas palavras sábias e a maneira como Ele cuidou da situação confundiu seus adversários.
4. Atos 6:1-5. Dando sabedoria na administração da igreja.
5. Atos 15:28. Resolvendo uma crise na igreja
6. Atos 27:23-24. Deu a Paulo o controle da situação, o que resultou na salvação de muitas vidas. A palavra de sabedoria foi prometida a todos os discípulos de Cristo: Colocai em vosso coração o não vos preocupardes com o que haveis de responder; porque eu vos darei palavra e sabedoria a que não poderão resistir, nem contradizer, todos quantos vos fizerem oposição. (Lucas 21:14-15)
5. PALAVRA DE CONHECIMENTO (1 Co 12:8)
Uma palavra de conhecimento é um fragmento ou pequena parte do conhecimento de Deus
que é dado a uma pessoa pelo Espírito Santo. Ele nos dá certos fatos e informação através da revelação sobrenatural do Espírito Santo. Estas informações eram anteriormente desconhecidas pela pessoa, e o conhecimento delas não poderia ter sido obtido de nenhuma forma natural. Ele é transmitido sobrenaturalmente.
a) Exemplos das escrituras
1) No ministério de Jesus Cristo Ele sabia de certos fatos sobre a vida de Natanael antes de conhecê-lo (João 1: 47-50). Novamente, Jesus Cristo sabia de muitos fatos sobre a mulher de Samaria, ainda que ele nunca a tivesse visto anteriormente (João 4:16-20)
2) Na igreja primitiva Ananias recebeu informações específicas, com muitos detalhes sobre Saulo, o qual ele nunca havia conhecido (Atos 9:10-20). Ele soube exatamente qual era a rua e a casa em que Saulo estava. Ele soube que Saulo estava orando naquele presente momento e que quando ele impusesse suas mãos sobre Saulo, ele receberia a sua visão.
3) Exemplo do Antigo Testamento: Deus revelou a Natã certos fatos e detalhes com relação à transgressão de Davi. (2 Samuel 12:1-14)
b) Distinção do dom palavra de conhecimento. Uma palavra de conhecimento é diferente do conhecimento humano obtido através de maneiras naturais. Uma palavra de conhecimento não pode ser obtida por um aprendizado intelectual. Tal conhecimento não pode ser obtido pelos estudos de livros ou por uma carreira acadêmica de estudos numa faculdade.
Ela não é tampouco a habilidade de se estudar, entender ou interpretar a bíblia.
c) O seu emprego nas Escrituras
1) Para revelar o pecado (2 Samuel 12:1-10; Atos 5:1-11)
2) Para trazer as pessoas a Deus (João 1:47-50; 4:18-20)
3) Para guiar e dirigir (Atos 9:11)
4) Para ministrar um encorajamento em tempos de desânimo (1 Reis 19:9)
5) Para transmitir um conhecimento sobre eventos futuros (João 11:11-14)
6) Para revelar coisas escondidas (1 Samuel 10:22)
d) A operação deste dom
1) É sobrenatural quanto ao caráter. Não é obtido por lógica, dedução, raciocínio,
etc. Nem pelos sentidos naturais mas pela revelação sobrenatural através do Espírito
Santo.
2) É operada pela fé a pessoa que está recebendo a revelação faz isto pela fé.
3) A revelação é recebida em nosso Espírito Santo. Não no intelecto ou nas emoções.
4) Não é essencialmente um dom vocal (Atos 9:11) ele é recebido silenciosa e inaudivelmente dentro do espírito da pessoa.
5) Ele pode ser tornar vocal ao ser compartilhado com outros (João 1:47; 4:18)
6) Qualquer cristão cheio do Espírito Santo e que esteja disposto a ouvir Deus pode experimentar o funcionamento deste dom.
7) É uma ferramenta valiosa no ministério de aconselhamento
8) Uma ação e resposta em obediência são essenciais. Para que esta manifestação continue funcionando em nosso ministério.
9) A palavra de sabedoria manifesta-se freqüentemente junto com o dom da palavra de conhecimento. Mas sempre de acordo com 1 Co 12:7-11.
6. DISCERNIMENTO DE ESPÍRITOS (1 Co 12:10)
O discernimento de espíritos é um assunto mais importante do que imaginamos. Se este dom espiritual fosse usado mais freqüentemente com o seu complemento quando se expulsam demônios, muitos dos problemas que enfrentamos hoje seriam grandemente minimizados. O discernimento de espíritos é o terceiro dos dons de revelação. É um dom divino transmitido pelo Espírito Santo para que possamos penetrar na esfera espiritual para distinguirmos o espírito de Satanás e seus demônios, o Espírito Santo de Deus e o espírito humano. Através deste dom podemos discernir a origem de certas ações, ensinamento e circunstancias, etc. que foram inspirados por seres espirituais. Este dom é mais limitado que os outros dois dons de revelação. A revelação dada neste caso é limitada à origem do comportamento em questão. No entanto, o discernimento de espíritos é tão sobrenatural em sua operação quanto qualquer um dos outros oito dons. Ele fornece à igreja informações que não são disponíveis de nenhuma outra maneira.
a) A função do dom. O dom de discernimento de espíritos nos dá um entendimento sobrenatural da natureza e atividade dos espíritos. Ele nos capacita a distinguirmos se determinada atividade espiritual tem uma origem divina, satânica ou humana e revela a natureza dos espíritos em questão. É fácil confundirmos as obras do espírito de Satanás com as do Espírito Santo de Deus. Satanás sempre tenta falsificar as obras do Espírito Santo. Satanás é conhecido como o enganador, o pai da mentira, e a serpente. Todos estes títulos significam a fraudulência sutil e artificiosa possível. Muitas vezes as suas falsificações são tão plausíveis que as pessoas podem ser inteiramente enganadas, a menos que alguém que exercite o dom sobrenatural de discernimento de espíritos esteja presente. Se as atividades demoníacas estivessem tão obviamente exalando uma intenção perversa e repulsiva como tendemos imaginar não haveria nenhuma utilidade para este dom do Espírito. Na narrativa da jovem com o espírito de adivinhação em Atos 16:16-18, Paulo desafiou o espírito que talvez pudesse ter enganado facilmente a outros servos de Deus. A jovem fez uma declaração perfeitamente verdadeira quando ela disse: estes homens são servos do Deus altíssimo, e vos anunciam o caminho da salvação. O fato se repetiu por vários dias, entretanto, o que estava falando era um espírito demoníaco. Porque um demônio faria propaganda dos apóstolos dessa maneira? Porque não era de nenhuma ajuda ao evangelho ou seus ministros terem uma pessoa assim, seguindo-os e sem dúvida, fazendo com que muitos pensassem que ela era um deles.
b) Operação e necessidade deste dom hoje. O dom de discernimento de espíritos está experimentando o seu próprio reavivamento em muitas partes do mundo hoje em dia. Ele pode ser visto em ação no ministério de muitos homens de Deus, na renovação atual.
É absolutamente essencial que este dom opere para que a igreja possa realizar a sua missão por completo e destruir as obras do diabo. Há tantos demônios no mundo hoje, quanto havia na época em que Jesus Cristo executou o seu ministério terrestre. O propósito deles é matar, roubar e destruir. O dom de discernimento de espíritos é essencial para revelar a presença destes seres malignos.
c) Como o dom de discernimento de espíritos funciona - A primeira e mais óbvia função deste dom é revelar a presença de espíritos malignos na vida das pessoas ou igrejas. No entanto, ele também funciona para avaliar a fonte de uma mensagem profética de um ensinamento em particular ou alguma manifestação sobrenatural. A pessoa que exercita este dom será capaz de dizer se a fonte de uma mensagem ou ação é demoníaca, divina ou meramente humana. Se for discernido que a fonte é demoníaca, a pessoa que exercita esse dom geralmente será capaz de revelar:
1) A natureza do demônio. Isto se refere ao tipo da sua obra: mentiras, engano, causando enfermidades (como por exemplo: câncer, cegueira, surdez, etc.), um comportamento impuro e coisas semelhantes.
2) O nome do demônio. Isto é geralmente revelado com a natureza do demônio, ainda que não seja realmente incomum ter-se a revelação do nome próprio do demônio.
3) O número de demônios. Este é o caso da legião, conforme disposto em Mc 5:1-13; 16:9 e Mt 12:43-45.
4) A força de determinados demônios. Geralmente durante um confronto com um espírito maligno, a pessoa que exercita o discernimento de espíritos sabe por revelação qual dentre os vários demônios, é o mais forte e tem maior autoridade.
5) Com relação a obter informações muitas vezes, os próprios demônios dão muitas informações, verbalmente à pessoa que eles sabem que discerniu sobrenaturalmente a presença deles e que tem o poder de expulsá-los. No entanto, já que podemos esperar que os demônios mintam, é uma boa idéia tratarmos as informações que eles nos dão, com suspeitas e contarmos somente com as informações dadas pelo Espírito Santo.
d) O discernimento de espíritos nem sempre envolve a fé para expulsar demônios. Ainda que o dom de discernimento de espíritos seja essencial para uma libertação eficaz, ele não é suficiente por si mesmo. Ele precisa operar junto com os dons da fé e de operação de milagres. São os que exercitam estes dons que tem mais êxito na expulsão de demônios.
7. DOM DA FÉ (1 Co 12:9)
A fé é a certeza de coisas que se esperam; e a prova de fatos que não sê vêem. (Hb 11:9).
O capítulo 11 de Hebreus indica que a fé lida com o futuro e com o invisível. As coisas não fisicamente experimentadas. O dom da fé é uma transmissão sobrenatural da irresistível fé de Deus para o coração de um filho de Deus batizado no Espírito Santo. É uma fé especial para um propósito especial. O dom de fé tem um futuro vastamente superior àquela da fé geral a qual cresce da semente original da fé salvadora que Deus plantou em nossos corações (veja Rm 1:17). O grau da fé geral cresce com os estágios de desenvolvimento do crente (a pequena fé, a fé hesitante, a grande fé, etc.). A fé geral cresce como uma semente de mostarda (Lucas 17:6; Mt 13:31-32), em etapas. A fé em geral cresce como resultado de nos alimentarmos na palavra de Cristo (Rm 10:17). Ela pode desenvolver-se até um nível muito elevado. Contudo, o dom de fé tem uma função superior até mesmo ao mais alto nível de fé geral. Alguns tradutores se referem ao dom de fé com uma fé especial. Isto indica uma fé concedida pelo Espírito Santo para satisfazer as nossas necessidades em circunstancias especiais e extenuantes. Isto ainda sugere que o dom de fé não reside permanentemente em nenhum crente, mas sim que cada manifestação é um dom de fé separado. Um episódio na vida de Elias ilustra isto quando ele declarou ao rei Acabe que não haveria chuva até que ele falasse a palavra e que depois haveria chuva novamente de acordo com sua palavra (1 Rs 17:1). O seu dom de fé produziu o cumprimento miraculoso de profecia. Contrariamente, esta fé extraordinária estava faltando quando Elias se assentou debaixo de um zimbro, temeroso, desanimado e querendo morrer porque não era necessário naquele momento (1 Rs 19:4). Ele não havia perdido a sua fé em Deus ou em sua palavra. Sua própria fé foi fortalecida e o ensinou a crer em Deus e a se reanimar quando Deus lhe disse que ele tinha outros sete mil seguidores fiéis em Israel. Deus quer que você saiba que você pode seguir adiante confiantemente, sabendo que quando exigências especiais são colocadas sobre você, Ele lhe dará, sobrenaturalmente, uma fé especial para capacitá-lo a cumprir os seus propósitos.
a) Como o dom de fé funciona?
Parece que o dom de fé funciona duma maneira passiva, mas isto nem sempre é assim. A proteção de Daniel dos leões (uma ocasião passiva do dom de fé) parece contrastar com a ocasião em que Sansão matou o leão, o que é um exemplo do envolvimento ativo do homem na manifestação do poder de Deus. Este seria um exemplo de operação de milagres.
Esta impressão de que o dom de fé funciona passivamente é porque ele geralmente é operado em cooperação com dons mais dramáticos (por exemplo: a operação de milagres, os dons de curas, etc.). O dom de fé também funciona quando falamos a palavra de fé. Cri, por isso falei.
(2 Co 4:13). Portanto, as palavras que um homem de Deus fala ao ser inspirado pelo Espírito Santo são confirmadas por Deus com se fossem suas próprias palavras. Os resultados nem sempre são imediatos, mas eles são certos. Este dom pode funcionar de várias maneiras (por exemplo, para abençoar, para maldizer, para criar, para destruir, etc.).
Há alguns exemplos notáveis do dom de fé funcionando através da palavra falada:
1) Josué ordenou que o sol e a lua parassem (Josué 10:12-14) (hoje na verdade a gente sabe que o que parou de fato, foi a terra).
2) Josué jurou com maldição acerca da reconstrução de Jericó (Josué 6:26) ? 500 anos depois a maldição se cumpriu no reinado de Acabe, com Hiel (1 Reis 16:34)
3) Elias controlou o tempo através de sua palavra. Juro pelo Senhor, Deus de Israel, em cuja presença estou que nestes anos não haverá orvalho nem chuva, se não segundo minha palavra. (1 Reis 17:1)
4) Paulo usando o dom de fé também amaldiçoou Elimas. Ele disse: filho do Diabo e inimigo de toda a justiça estás cheio de todo o engano e de toda malícia. Não cessarás de perverter os retos caminhos do Senhor? Pois agora, a mão do Senhor está sobre ti: ficarás cego por algum tempo, e não verás o sol. No mesmo instante, caiu sobre ele névoa e escuridão, e tateando, procurava quem o guiasse pela mão. (Atos 13:8-12)
5) Pedro julgou Ananias e Safira (Atos 5) As escrituras ensinam o princípio da palavra da fé: tudo o que pedirdes em oração, creia que recebestes, e será vosso. (Mc 11:23)
Se projetares alguma coisa, ela te sairá bem, e a luz brilhará em teus caminhos. (Jó 22:28)
Tende fé em Deus (Mc 11:22)
8. DONS DE CURAS (1 Co 12:9)
As três referências a este dom em 1 Corintios 12 estão nos versículos 9, 28 e 30. Em cada uma destas, as palavras originais são: charismata, iamaton. Ambas as palavras estão no plural, o que faz com que a tradução correta desta frase seja dons de curas. Os dons de curas funcionam sobrenaturalmente para curarem doença e enfermidades sem nenhuma espécie de meios naturais. É o poder do Espírito Santo que vem por sobre o corpo de uma pessoa, dissolvendo suas enfermidades e tirando suas dores para curá-la. O uso de substantivos no plural enfatiza a abundância dos dons de cura de Deus disponíveis aos homens que sofrem enfermidades. Isto também pode enfatizar que a cura de Jesus Cristo liberta de toda doença, fraqueza, praga, enfermidade e aflição. Isto também sugere que há uma grande variedade de manifestações deste dom. (1 Co 12:4-7) O exercício dos dons de curas não dá à pessoa que o exercita a habilidade de curar todos os doentes em todo o tempo. Algumas pessoas não compreendem bem este ponto e perguntam por que não entramos em hospitais e lugares semelhantes e curamos a todos os que estão doentes. Até mesmo Jesus Cristo não fez isto. Ele apenas foi a um lugar, uma só vez, onde havia muitos doentes (tanque de Betesda), mesmo assim, ele escolheu apenas um dentre todos e o curou. Muitas vezes lemos a respeito de grandes multidões de doentes que vieram a Jesus Cristo e vemos que Ele curou a todos. Um princípio importante da cura divina é que a pessoa precisa vir a Jesus Cristo como um exercício de fé e cooperação.
a) O propósito dos dons de curas
1. Libertar os doentes e aflitos e destruir as obras do Diabo em corpos humanos (1 Jo 3:8; Atos 10:38; Lc 13:16).
2. Provar que Jesus Cristo é o filho de Deus (João 10:36-38)
3. Confirmar a palavra (Mc 16:17-20; Atos 7:29-39)
4. Trazer glória a Deus (Mc 2:12; Lc 13:13; 18:43; Jo 9:2-3)
5. Atrair pessoas ao Evangelho de Cristo (Mt 4:23-25)
O Espírito Santo dá dons de curas aos servos de Deus para que os transmitam a quem quer que, o Senhor deseje curar para os seus próprios propósitos. Como todos os outros dons, os dons de curas não somente tem que ser dado, mas também tem que ser recebido. Assim como há um princípio de fé com relação a como ministrar estes dons, há também um princípio que trata com a maneira de recebê-los. Veja os exemplos abaixo:
Ezequias teve dificuldades em receber o dom de cura que Deus enviou a ele. A sua fé teve que ser edificada de uma maneira especial, através do milagre registrado em 2 Reis 20:8-11 (veja também 2 Reis 5:10-14). Naamã teve dificuldades em receber o dom de cura que Deus havia enviado a ele através de Eliseu. A cura em geral requer um duplo ato de fé. Fé para receber, e fé para administrar o dom de cura. Ainda que haja exceções a esta regra, Deus sempre deseja curar. No entanto, às vezes os canais normais, através dos quais o seu poder de cura fluem, não estão funcionando muito bem. Isto pode requerer que Deus envie um dom de cura especial. Às vezes, Deus comunica os dons de curas através dos canais de curas normais, em outras ocasiões, através de meios extraordinários, de acordo com sua vontade. Por exemplo: a sombra de Pedro (Atos 5:15), os lenços pessoais de Paulo (Atos 19:12), a unção com óleo (Tiago 5:14-15).
9. OPERAÇÃO DE MILAGRES (1 Co 12:10)
Um milagre acontece quando Deus intervém no curso normal da natureza. O dom de operação de milagres acontece quando Deus nos capacita com poder pelo Espírito Santo a fazermos algo completamente fora do campo das habilidades humanas. Ele nos dá isto numa ocasião específica para um propósito especial. Todos os dons do Espírito Santo são miraculosos, mas o uso da palavra milagre, neste caso se refere a atos de poder.
a) Os milagres dão uma prova inegável da ressurreição
Se Jesus Cristo não estivesse vivo, o seu nome não teria nenhum poder para curar os doentes e operar milagres (Atos 4:33). Pedro convenceu aos judeus incrédulos da ressurreição de Jesus Cristo e de sua necessidade de arrependimento por força do fato de que o nome de Jesus Cristo ainda tinha poder para curar os doentes e operar milagres.
b) As obras de milagres em nome de Jesus Cristo foram acompanhadas do seguinte:
1. Ousadia. Deu ousadia aos discípulos para que pregassem a Cristo. (Atos 4:29-30) As pessoas reconheceram que eles haviam estado com Jesus Cristo, o operador de milagres (Atos 4:13)
2. Encorajou a orar. Fez com que a igreja tivesse mais fome pelo poder Deus. (Atos 4:31)
3. Convenceu dos pecados. Convenceu e condenou os homens por seus pecados cometidos. (Atos 4:21)
4.Cinco mil foram convertidos. Cinco mil pessoas se converteram a Cristo em um dia, através de um milagre realizado pelo Espírito Santo através dos apóstolos (Atos 4:4; 5:14)
5.Glorificaram a Deus. Todos os homens glorificavam a Deus pelo que foi feito. (Atos 4:21)
6.Propagaram o Evangelho. O evangelho foi espalhado rapidamente. (Atos 5:14-16) Antes que Jesus Cristo começasse a operar milagres, ninguém o seguia a nenhum lugar. Ele deve ter pregado freqüentemente na sinagoga, pois Lucas 4 diz que este era o seu costume. Mas, quando os milagres em Lucas 4:33-35 aconteceram, a sua fama divulgou-se por todos os lugares daquela região. (Lc 4:37) Daí em diante as multidões se comprimiam ao seu redor para ouvirem as suas palavras e para verem os milagres. Uma grande multidão o seguia, porque tinha visto os sinais que Ele fazia na cura dos doentes. (João 6:2)
c) Onde quer que os discípulos pregassem, curavam os doentes, expulsavam os demônios e operavam milagres, multidões se voltavam a Cristo:
1.Em Samaria. Samaria prestou atenção a Filipe, porque viam e ouviam os sinais que Deus fazia através dele. (Atos 8:6)
2.Em Sarona e Lida. Todos os habitantes de Sarona e Lida se converteram ao Senhor, quando Pedro disse a Enéias: Jesus Cristo te cura! Levanta-te e faze a tua cama. E logo se levantou. (Atos 9:34-35)
3.Em Jope. Muitas pessoas em Jope creram quando Pedro ressuscitou Dorcas. (Atos 9:42)
4.Em Listra. O povo de Listra pensou que os deuses tivessem descido a eles quando eles viram o coxo andar e saltar por causa da palavra de Saulo (Atos 14:8-18)
5.O livro de Atos. O livro de Atos termina com milagres em força total (Atos 28:8-9) Quando as pessoas viram a Públio curado, elas creram que se Deus podia curar a todos que tinham necessidade de cura. Quando as pessoas pensam e crêem corretamente com relação a Deus, então elas recebem d?Ele o que Ele tanto deseja dar para elas.
d) Os milagres nas vidas dos crentes
A operação de milagres é a capacitação do Espírito Santo, dando ao crente a habilidade de operar um milagre, em contraste com Deus operando milagres na vida de um crente. Assim sendo, muitos que nunca receberam o dom de operação de milagres tem, muitas vezes, experimentado milagres estupendos que Deus operou para eles.
1. Libertação. Milagres de libertação como o de Pedro em Atos 5:17-20 e novamente em Atos 12:1-10. Também o de Paulo e Silas em Atos 16:15-30 e Paulo em Malta (Atos 28:3-6)
2. Arrebatamento. O Espírito do Senhor arrebatou a Filipe, e o eunuco não o viu mais... (Atos 8:39) Estes e muitos outros exemplos são milagres operados por Deus nas vidas dos discípulos; às vezes até mesmo sem a cooperação dos mesmos. Estes não são, portanto, exemplos em que o dom de operação de milagres estava em funcionamento. Em contraste, agora apresentamos três casos em que este dom estava funcionando.
e) Milagres operados pelos apóstolos.
1.Atos 19:11, e Deus pelas mãos de Paulo fazia maravilhas extraordinárias.
2.Atos 9:40, mas Pedro, fazendo sair a todos, pôs-se de joelhos e orou: e, voltando-se para o corpo, disse: Tabita levanta-te. E ela abriu os olhos, e, vendo a Pedro, assentou-se.
3. Atos 20:9-12, Paulo restaurou a vida de Êutico. Não há dúvida nenhuma de que, à medida que nos aproximamos do final desta era e o derramamento do Espírito Santo aumenta, haveremos de ver muito mais sendo realizado por meio deste dom espiritual da operação de milagres.
Deus em o nome de Jesus Cristo te abençoe com os dons do Espírito Santo... Sempre.
Na aula 22 falaremos sobre o "novo sacerdócio que temos em Cristo".
Paz seja convosco.