JÓ LIDOU COM O SOFRIMENTO da melhor forma que pôde e amigo nenhum foi capaz de compreendê-lo. Tentaram saber mais do que ele, que no pó e na cinza se coçava com um caco de cerâmica tentando se consolar por causa do sofrimento que estava vivendo em virtude de seus próprios pensamentos mal definidos. Viveu aquilo que mais tinha medo e no medo tudo o que não presta se realiza em nós.
Mas em nenhum momento abriu a boca para reclamar. O seu sofrimento era tanto que até sua mulher, uma transeunte que passa aleatoriamente na história e resolve dar sua opinião negativa aconselhando Jó a amaldiçoar Deus e morrer, uma mulher tão insignificante que nem o seu nome foi registrado no texto.
É o tipo de mulher inútil que homem nenhum precisa.
Cada um é cada um e luta da melhor forma que tem para lidar com o sofrimento.
É inútil querer saber mais do que a pessoa que sofre, porque ela não fere ninguém ao sentir dor, mas quem se aproxima tentando ajudar costuma ferir julgando sem conhecer e condenando sem ouvir adequadamente.
Dizer o que ela deve ou não fazer costuma ser inapropriado para o momento.
Quem sofre quer sofrer sozinho, ninguém precisa de falso consolo ou de juízes a decretar sua condenação tendo como base a própria experiência de vida.
A minha vida é minha, a dos outros é dos outros e cada um deve dar o melhor de si para tentar viver longe de problemas ou coisas que desagradam a Deus. E para efeito de fim de papo, nem todo sofrimento depende de palavras de conforto ou acusações infundadas, mas de ações que visam dar solução ao problema, mandando embora o sofrimento. Jó teve sua experiência de vida e depois de tudo, sua vida voltou ao normal, mas quem ficou envergonhado mesmo foram os amigos que ousaram presumir que o sofrimento era fruto de pecado contra Deus. Nem tudo que é ruim na vida é fruto de pecado.
O fanatismo religioso só nos ajuda a sermos insensatos e mesmo sabendo, ignorantes.
Em alguns casos, a melhor ajuda que se pode dar é o fazer silêncio e cuidar da própria vida.
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